Tem no dicionário: muro. [Do lat. muru] S.m. 1. Parede forte que circunda um recinto ou separa um lugar do outro. 2. Fig. Defesa, proteção.
Existem os muros simbólicos – aqueles que construimos para nos afastarmos de pensamentos obsessivos, atitudes repetitivas, gostos duvidosos, telefonemas passionais etc. – e os denotativos, aqueles que vemos, tocamos e, na maioria das vezes, não servem para muito a não ser (nos) afastar o que (nos) é estranho.
Não é somente uma questão arquitetônica – é o que essas separações representam. A muralha da China pode até ser linda, mas ela tinha o mesmo sentido que todos os muros tão ou mais famosos – os de Berlim, Gaza, Cisjordânia e o da Daslu – têm: deixar claro que existe uma diferença. Os que são aceitos e os que não.
Como começou este projeto?
A gente fez uma pauta sobre as “ecobarreiras”, para o Wall Street Journal, no ano passado. Na época, ficamos surpresos com a iniciativa da prefeitura do Rio, e também com a complacência do povo carioca e da imprensa nacional – que não apenas não protestaram como, em alguns momentos, até apoiaram a construçãoo do muro.
Quando recebemos o convite para participar do Encontro, e soubemos que o tema proposto para todos os coletivos seria a questão do meio ambiente, percebemos que as coisas se encaixavam perfeitamente. A questão de uma barreira física no meio da cidade do Rio, separando a favela da faixa de floresta tropical que toma parte da cidade, sob a desculpa de ser uma atidude de preservação do meio ambiente é um tema que já nos tinha interessado de cara. A a chance de aprofundar o trabalho e participar com ele de uma exposição internacional fez com que não tivéssemos dúvidas sobre a escolha do muro, como tema.
E como as imagens foram produzidas?
Desde de dezembro, pelo menos um de nós ia para o Rio, todo fim de semana. Nos alternávamos na produção das imagens, feitas nos finais de semana e, durante a semana, nos reuníamos para editar – de maneira coletiva – o material. Em fevereiro, fomos os três e ficamos lá por mais uma semana. Aproveitamos esse último período para fechar a edição que havíamos proposto, refazendo imagens que não nos satisfaziam esteticamente, e passando o último “pente fino” (não no sentido policialesco!!) no morro…
Vocês mostraram um petisco do processo de edição do Garapa no blog de vocês. Como chegaram nas imagens finais?
Pela primeira vez, desde que existimos como coletivo, nos propusemos a fazer todo o trabalho com equipamento analógico. Apostamos nessa escolha por razoes técnicas, de qualidade e proposta estética, mas também para nos propormos a fotografar num ritmo diferente do que estamos habituados, já que todos nós começamos profissionalmente na fotografia digital. Foi uma experiência interessante, especialmente em termos de edição, pois partimos de um universo de imagens extremamente reduzido, comparado ao que produzimos quando usamos digital. Eram cerca de 500 imagens no total, ou seja, talvez a quinta parte do que produziríamos normalmente. Delas, chegamos a uma edição final de 16 que, acreditamos, traduz como nós, “estrangeiros” no morro, enxergamos a construção de um muro numa comunidade já completamente marginalizada.
Além das fotos, apresentaremos também um vídeo, produzido pelo pessoal do coletivo iZ e por Gustavo Pellizzon. Eles participaram de maneira fundamental do processo e foram nosso ponto de apoio no Rio, promovendo uma troca de informações fundamental para a realização do trabalho. Acreditamos que esse seja também um ponto chave em toda a mobilização dos coletivos: gerar a possibilidade de um intercâmbio intenso de olhares e trabalhos, que enriquecem o processo de criação de todos.
E o que mais vocês planejam para 2010?
Além do E•CO, estamos focados na produção de conteúdo fotográfico e de vídeo para um projeto do MinC, que inclui a publicação de uma série 5 de livros e 100 entrevistas em video, que serão apresentadas em uma plataforma na web.
Começamos o ano focados no fluxo interno: finalizar projetos nos quais ainda acreditamos haver trabalho a desenvolver (como o Morar), organizar nossos arquivos e ir atrás da aprovação de projetos em leis de incentivo e editais. Além disso, queremos também fazer da Casa de Cultura Digital, onde fica o Garapa, um espaço de reflexão sobre a produção fotográfica contemporânea.
No dia que fomos no estúdio do Garapa, Leo Caobelli estava renovando seu passaporte (!!) e Paulo Fehlauer estava em Brasília, fazendo o curso do André Rouillé. Para ver mais fotos desse dia, clique aqui.




E o passaporte já está pronto para viagem!
Foi só pra dar alguns segundos de emoção pensando que a viagem pudesse não acontecer
hahahaha boa, leo
:*
Essas garrafas vazias não são bom sinal
Ei caras do Garapa! muito bon trabalho!!!t estoy con vontade de ver tudo ja pronto!
saludos!
mal sinal são os copos vazios isso sim! ha!